Homenagem ao meu avô Anselmo Favarato

Tocando nos bailes

24/05/2011 00:00

Naquele tempo poucas vezes se beijava a namorada, era difícil mesmo! Era sinal de respeito, mas tive uma namorada que eu não entendi.

Ela gostava de mim. Eu já tinha ido duas vezes à casa dela quando teve um baile e o seu pai a levou. Eu gostava de tocar concertina nos bailes e ela sabia. Estávamos no baile e ela chegou na minha beira e falou assim:

- Sabe que eu estou achando que você está triste hoje, né Anselmo?

- Não, eu não estou triste não.

- Anselmo, você quer acabar o namoro comigo?

- Eu não estou falando nada disso!

- Quer saber de uma coisa. vamos acabar com esse namoro!

- Tá bom, se você quiser acabar... você que sabe!

E ela foi falar com o pai que estava no baile.

- Pai, sabe de uma coisa, eu vou acabar o namoro com o Anselmo.

- Minha filha, mas por causa de que?

 - Pai, ele nunca deu um beijo em mim. Só quer saber de dançar e tocar e não fala nada comigo, parece que ele não gosta de mim. Eu coloco a mão na mesa e ele nem pega na minha mão, ele não faz nada!

- Se quiser acabar, você pode acabar, mas tem uma coisa: você acaba o namoro com ele e na mesma hora nós vamos embora pra casa, você não fica mais nesse baile não.

- Eu vou, eu vou embora então.

E assim acabou o namoro, eu ia fazer o que? Ela queria acabar, né!

E eu... continuei no baile tocando com o Luiz!

Anselmo, com 80 anos, tocando sua velha concertina