Homenagem ao meu avô Anselmo Favarato

A pequena Cesira

15/05/2011 00:00

Cesira PalazziMeu bisavô Eugênio Favarato casou-se com Cesira Palazzi, filha de Enrico Palazzi e Antonia Neri.

Na verdade o nome de batizado do seu pai também era Domenico (Domenico Enrico Pulcilmo Isaja Palazzi), mas no Brasil foi “abrasileirado” e virou apenas Enrico, e ainda alteraram o “zz” do Palazzi para “ss”.

Enrico nasceu na cidade de Finale Emilia, província de Modena na região Emiglia Romana da Itália. Casou-se com Antonia Neri em 1874 com quem teve seis filhos na Itália.

 

Em 27 de dezembro de 1888 a família veio para o Brasil a bordo do navio Adria: Enrico aos 38 anos de idade, com a esposa Antonia (31 anos) e os seis filhos pequenos: Clarice (13 anos), Ersilio Emilio (11 anos), Aldo (8 anos), Maria Luigia (6 anos), Anna Maria (4 anos) e a bebê Cesira, com apenas 4 meses de vida.

Já no Brasil, o casal teve mais dois filhos: Margarida e Franscisco.

Enrico Palazzi foi um dos imigrantes que se rebelaram contra os maus tratos no Espírito Santo ao perceber que suas dificuldades seriam ainda maiores que a dos outros, porque ele não era agricultor. Enrico tinha muito orgulho de sua profissão na Itália – era Sapateiro. Mesmo assim não desistiu e foi em busca do seu lote de terra na fazenda Pau Gigante em Acioli.

Uma das histórias mais emocionantes que meu avô sempre contava era a de Cesira. Ele dizia assim:

Minha mãe era bem pequenininha quando veio da Itália. Foi uma viagem de navio que durou 21 dias. No navio, ela ficou doente e estava muito mal quando um marinheiro falou: A menina não vive mais não, joga ela no mar.

Mas a nona sempre muito firme: Não, de jeito nenhum, coitada! Eu vou levá-la para o Brasil, vou cuidar dela e com fé em Deus ela vai melhorar.

Cesira sobreviveu à viagem e à todas as dificuldades da chegada. Alguns descendentes do irmão dela até pouco tempo tinham dúvidas se Cesira tinha sobrevivido a viagem, pois encontrei na internet uma conversa de 2007 entre Geraldo Cruz Filho, neto de Cesira, e Rodrigo Palazzi, neto de Francisco, que dizia:

“Apesar de não ter tido oportunidade e privilégio de conhecer a querida Cesira, tenho um grande carinho por ela. Na minha busca por informações, achei dois documentos interessantes: o passaporte do nosso bisavô Enrico e o documento que atesta a chegada dos Palazzi em Vitória. Os documentos registram a viagem da família e a Cesira é citada como bebê de colo, com poucos quilos, etc. Fiquei muito emocionado com os documentos, em especial com a pequenina Cesira. Fiquei emocionado novamente, pois pensava que a Cesira tinha morrido ainda criança, devido às condições em que o Enrico saiu da Itália, somadas as dificuldades da viagem e a dura vida no Brasil. Formidável saber que a Cesira sobreviveu e, sobretudo, que estou tendo contato com os seus descendentes.”

A pequena Cesira cresceu em Acioli, onde conheceu Eugênio Favarato com quem se casou e teve doze filhos, nove homens e três mulheres: o Afonso era o filho mais velho, depois meu avô Anselmo, o Ernesto, o Otávio, o Primo, o Domingos, o Maurílio, a Malvina, o Abílio, e os três mais novos ainda vivos: a Alendina - mais conhecida como Arlinda, a Amábile, e o Hildo que mora no antigo sobrado onde viveu por muitos anos toda a família.

Irmão Favarato e esposas (os)

Filhos(as) de Eugênio Favarato e esposas(os) reunidos na festa de Bodas de Ouro de Anselmo e Olga